Saudade...
Eis uma palavra que pode descrever o sentimento de muitos pela infância. Não, ser criança para o resto da vida não é (e nem deve ser) legal. Mas é a época em que cada um faz as coisas com a maior inocência que lhe cabe. Quando de fato se começa a descobrir o mundo, se cria a consciência...
Consciência. Algo que falta à muitos hoje em dia. E sim, no meu ponto de vista ela se adquire na infância. Novamente é importante lembrar que a família é peça fundamental nesta jornada, mas, quase tão importantes quanto ela são a escola e o convívio social. Aqui está o que acho que é a base da sociedade que acredito ser a mais razoável: educação.
Não foi a toa que os grandes regimes de repressão atuaram de maneira contundente os estudantes e as instituições de ensino; é lá que se encontra o que move a sociedade: o pensamento. E cada vez mais isso é verdade: a força de trabalho motora vem sendo substituida pela qualidade do pensar, que é insubstituível. Uma máquina nunca vai conseguir projetar, por si só, um prédio, nem escrever um poema, muito menos fazer uma cirurgia. Pode, indubitavelmente, auxiliar o homem nisso, mas jamais substituí-lo.
A criação da consciência, aliada à educação de qualidade (estreitando ainda mais as relações entre escola e família), são a chave para uma infância bem vivida.
Mas deixando de lado essa parte "careta" da infância, e voltando à etapa de descobrimento do mundo. É um estágio onde não há preocupações, a liberdade é algo que fica cada vez mais ao seu alcance. Não se está preocupado em agradar ninguém, apenas não se deseja uma relação complicada com seus pais; o que é simples, pois basta não jogar o sapato da mãe nem do pai pela janela. A única coisa com o que se preocupa é a diversão. Preocupa mais aos pais do que aos filhos é verdade, uma vez que cada vez mais as crianças são tratadas pela indústria do entretenimento como idiotas, que não necessitam pensar.
Basta relembrar, como fiz outro dia, a programação de televisão de 10 anos para cá: uma invasão de desenhos japoneses que não querem dizer absolutamente nada, não tem significado algum, e que induzem as crianças a apenas quererem comprar os produtos deste ou daquele herói nipônico. Esquecem que o Brasil já produziu fenômenos como Sítio do Pica Pau Amarelo (até mesmo este sendo ridicularizado, pobre Monteiro Lobato), Vila Sésamo (uma adaptação do clássico americano Sesame Street), os Trapalhões (tendo sua versão esdrúxula denominada Turma do Didi, com atores praticamente acéfalos).
Enfim, a infância é a etapa mais sublime do desenvolvimento do ser humano, pois é a partir dela que se desenvolve propriamente o ser humano. Não, depois de atravessar esta fase o indivíduo não está pronto (aliás, está muito longe disso). Mas é quando se é criança que se cria o alicerce para os conceitos montados por cada pessoa (que chamamos de moral).
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
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